domingo, 5 de setembro de 2010

sobre amor ao coito

Fui dormir já estava claro. As 11:30 chega a Mariana e arromba a porta com sua fala doce a meio - gritar: Caroooool! Queria que toda cobrança ou despejo fossem feitos com tal voz, talvez fossem muito mais felizes.

Mas o assunto é outro. Acho que o assunto é carma. Carma fora da cama. Daqueles que você suporta 23h por dia, porque na 1 em que estão juntos na cama fica tudo bem, e o carma vai embora. E quando há distância então? São 24h de carma constante até chegar à cama, uma vez ao mês, e olhe lá. Ela é mártir do carma esse tempo, até mais, se bobear. Ciúme patológico, brigas, separações e voltas é o carma em questão. Confesso que até ajudei num término, por telefone. Depois a choradeira. Como quem diz um “que será de mim sem um orgasmo ao mês?” nítido, mas escondido em prantos. E quando pergunto se ama, então? Mas ama? A resposta é não. E é sempre que a vejo feliz meio aos términos, numa hora ou outra de liberdade – até voltarem “as boas”, ao carma, assunto principal. Quantas seriam as horas felizes ao mês se trocasse o carma, o peso, coisa ruim, por liberdade, carência, meio-termo? Conseguiria orgasmos mais demorados e felizes, outrora “inexistentes”. E não acha isso, por pura ignorância. Só por achar que ninguém se compara ao amado carma dentro ou fora da cama.

Ou o gostoso é o carma? Uma hora em um mês nada mais é que... nada. Que se vive, que se esquece, que um mês depois já não vale mais a pena. Mas existe a tese “ela gosta é de sofrer”. Vai que é isso? Eu não sei. E quando me procura desesperada dizendo “estou cansada, vou terminar, não estou conseguindo respirar direito”, o pé é firme, a idéia é certa, a vida melhora, por horas, até o carma ligar. Então a faz sofrer, de novo, e voltam.

Porque ao certo, é melhor ter uma hora de paz, sossego e prazer, uma vez ao mês, na cama, do que viver por aí feliz e contente, sem pesos na mente. Ou não. Então explique-me, por favor.

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