quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Monólogo imaginário.
— Vi almas.
— Não as vi.

— Sou eu.
— Percebi.

— Não estamos juntos.
— ...

— Oi oi oi.
—
(se este fosse imaginário, feliz eu seria)
É o fim do caminho.

use-o

me preocupo mais comigo que com o mundo.
que mundo?
meu mundo, o centro das minhas forças e atenções.
sou mais que uma pessoa, uma força, um eu.
penso que sou várias, o que o pó de tudo me deu.

meu nome é corpo, alguns me chamam de pecado;
preocupados com o inteléctuo foi que o mundo me esqueceu.
mas o que importa sou eu, eu e eu.



(tempos em que seu cérebro te pede pra deixar de explorar o desconhecido, o impensável e tocar apenas o que está presente, frente-a-frente e vês no espelho. que resolve problemas sem pensar, trepidar; está aqui e tudo o que precisas é parar de pensar)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

direta

meu bom humor anda afetando muitas vidas. minha carencia anda afetando meu bom humor. a sua ausencia andou causando essa carencia. essa ausencia é só falta do meu amor.


(começou como um tweet, mas tem mais de 140 caracteres)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Benvinda.

- É bom se sentir bem resolvida.
- Deve ser mesmo, querida. Mas tem um problema aí.
- E qual é o problema aqui?
- Você não come, não dorme, não geme, não grita. Sente que a dor é normal, saudável, se acostumou a ser triste. Você lembra dele, dela, sente saudade. Você passa em frente à construção sem perceber elogios. Você pensa no que pensam de você. Não age, só olha, espera e reage. Você não é bem resolvida. É o contrário. Fica parada esperando as coisas se resolverem - e elas não vão. Você quer um emprego e não busca. Você corre atrás do que não é bom. Não esconde quando precisa. Livro aberto pra quem não presta. Edita frases que não queria ter dito, mentindo, sem consciência. Não sabe escutar, só responde, só xinga.
- Como é?
- Porra, você é basicamente o oposto. De tudo o que diz, de tudo o que faz, de bem resolvida. Uma pena, mas bem vinda à vida.
- E é uma pena que você seja eu. Bem vinda à frente do espelho.

oh no, you are the knife.

Sabe cara, já é manhã. Minha busca pelo erro terminou, mas eu ainda sinto as coisas vazias. Se meu exterior tá cheio, o vazio é dentro de mim, certo? Certo. Vai saber. Hoje o dia vai ser só mais um dia. Notícias. Cenários. Reticências... e pontos finais. Mas pelo menos, fiz minha parte. Acho que essa parte aí é dar minha opinião, mas nem sei. Agora que tô incrivelmente atordoada, já não tenho mais disso. Opinião. Quem precisa da minha. O importante é que ela vai escutar minhas músicas, enquanto eu escuto as dele, que pensa nela, que é meio-termo, fria e quente, em cima do muro.
Vou falando, falando, falando - e esse clima quente deixa o meu coração gelado. Por dois segundos até acreditei que sou má. Mas o motivo de tudo isso é que, já é manhã. E você não está aqui.



(and i was thinking about love)

domingo, 12 de setembro de 2010

sobre o que eu queria

acordei, bebi, bebi um pouco mais, cai, conversei.
abracei amigos, bebi, cai, fumei, gritei, e continuei bebendo.
cai, bebi, fui pra casa, fiquei mal, dormi.
acordei, nem comi, vi uns amigos e bebi.
bebi, senti dores internas, externas e em palavras.
senti dores alheias, tomei remédios pra curá-las, bebi, e voltei pra casa.
mas foi voltando pra casa que percebi: eu não queria nada disso - só queria um grande amor.

domingo, 5 de setembro de 2010

sobre amor ao coito

Fui dormir já estava claro. As 11:30 chega a Mariana e arromba a porta com sua fala doce a meio - gritar: Caroooool! Queria que toda cobrança ou despejo fossem feitos com tal voz, talvez fossem muito mais felizes.

Mas o assunto é outro. Acho que o assunto é carma. Carma fora da cama. Daqueles que você suporta 23h por dia, porque na 1 em que estão juntos na cama fica tudo bem, e o carma vai embora. E quando há distância então? São 24h de carma constante até chegar à cama, uma vez ao mês, e olhe lá. Ela é mártir do carma esse tempo, até mais, se bobear. Ciúme patológico, brigas, separações e voltas é o carma em questão. Confesso que até ajudei num término, por telefone. Depois a choradeira. Como quem diz um “que será de mim sem um orgasmo ao mês?” nítido, mas escondido em prantos. E quando pergunto se ama, então? Mas ama? A resposta é não. E é sempre que a vejo feliz meio aos términos, numa hora ou outra de liberdade – até voltarem “as boas”, ao carma, assunto principal. Quantas seriam as horas felizes ao mês se trocasse o carma, o peso, coisa ruim, por liberdade, carência, meio-termo? Conseguiria orgasmos mais demorados e felizes, outrora “inexistentes”. E não acha isso, por pura ignorância. Só por achar que ninguém se compara ao amado carma dentro ou fora da cama.

Ou o gostoso é o carma? Uma hora em um mês nada mais é que... nada. Que se vive, que se esquece, que um mês depois já não vale mais a pena. Mas existe a tese “ela gosta é de sofrer”. Vai que é isso? Eu não sei. E quando me procura desesperada dizendo “estou cansada, vou terminar, não estou conseguindo respirar direito”, o pé é firme, a idéia é certa, a vida melhora, por horas, até o carma ligar. Então a faz sofrer, de novo, e voltam.

Porque ao certo, é melhor ter uma hora de paz, sossego e prazer, uma vez ao mês, na cama, do que viver por aí feliz e contente, sem pesos na mente. Ou não. Então explique-me, por favor.